Aprende a amarrar seus cadarços

O Vicenzo — afilhado da @bibspotter — está aprendendo a amarrar o cadarço do tênis. Ele está com 8 anos. Foi por esta idade que eu aprendi a amarrar os meus.

Mas antes de alcançar essa independência, eu lembro que quando minha mãe me arrumava para a escola, ela fazia um nó duplo nos cadarços dos meus tênis, pois assim, a probabilidade de eles desatarem seria menor. E geralmente funcionava muito bem. Não precisava refazer o nó até a hora de chegar em casa.

Menino olhando para o seu tênis

No entanto, nas vezes que acontecia na escola — principalmente durante as aulas de educação física — do tênis desamarrar o cadarço, batia o desespero. Nas primeiras vezes, a professora ajudava, porém, depois ela começou a delegar a atividade aos colegas que já sabiam executá-la. E ela nem preocupava-se com a ponte: “Fulado, vai amarrar o cadarço do Sicrano!”. Não! Ela mandava a gente ir pedir para o colega.

Vergonha pra quê, né? Geralmente, eu pedia para uma menina. Elas são mais habilidosas e desde cedo achei que é mais fácil se mostrar vulnerável ao sexo oposto. Então, alguma delas me ajudava. Nem sempre era de boa vontade — ao menos, a escolhida não expressava uma cara muito alegre, — apesar de cumprir com o objetivo.

Felizmente isso foi uma fase. Atingi minha liberdade quando aprendi a dar nó em cadarço de tênis. Talvez o jeito que eu aprendi foi o mais difícil e menos eficiente. Nunca fui bom com cordas. Inclusive, até hoje eu sigo fazendo o mesmo nó duplo que minha mãe fazia, pois evita desamarrar ao caminhar na rua, e com isso, não preciso ficar me expondo na amarração.

Sou bom com improvisos e adaptações

Sabe aquele programa de culinária, que passa na TV, o MasterChef? Então, lembro que certa vez, em uma das provas, a receita exigia queijo, mas na hora do mercado, o competidor esqueceu de pegar o ingrediente e se deu conta somente quando chegou na sua bancada. No entanto, como ele havia pegado leite, o que ele fez? Seu próprio queijo!

Não é querer ser convencido, mas se eu soubesse cozinhar, talvez eu seria esse cara. E por quê? Pelo fato de geralmente eu também não me ver abatido em situações inusitadas. Sempre procuro dar um jeito com os recursos que estão disponíveis. Às vezes, uso da famosa gambiarra para resolver as coisas e geralmente funciona bem.

Semana passada, eu estava participando do TETRIX Challenge. Uma das questões pedia para que fosse gravado um vídeo usando uma camisa floreada. Levando em consideração que eu não tinha uma, o que foi que eu fiz?

Joatan usando uma “camisa floreada”

Desenhei e colei flores de papel em uma camisa qualquer e fui pra frente da câmera. Bom, se a comissão avaliadora irá aceitar, isso é outra história. Mas como se trata de um desafio onde muito se fala em “pensar fora da caixa”, acho que consegui expressar bem essa habilidade em resposta à atividade.

Outro exemplo foram os porta-retratos que fiz com palitos de churrasquinho e picolé. Eles foram usados no último sábado (25), durante meu casamento com a @bibspotter. Pois é! Pra quem ainda não está sabendo, apesar de já morarmos juntos há algum tempo, nos casamos. Foi uma cerimônia bem íntima, apenas pra família. Portanto, na recepção, queríamos colocar umas fotos nossas, mas por causa do orçamento, a ideia de comprar porta-retratos que seriam utilizados apenas na ocasião não era viável. Sendo assim, eu construí os nossos próprios.

Porta-retratos feitos com palitos de churrasco e picolé

Com isso, me considero uma pessoa que lida bem com improvisos e adaptações. De novo, não quero ficar me achando, porém, é uma qualidade que tenho orgulho de tê-la e fico feliz quando consigo colocá-la em prática.

Sofria bullying na escola, mas também bulinei os outros

Para os padrões atuais seria bullying. Já na minha época, há 20 e poucos anos, quando eu estava nas séries iniciais do ensino fundamental, era zoeira, tiração de sarro, pirraça.

Eu sofri bullying na escola. Como sempre fui gordinho, frequentemente ouvia frases que se repetiam, tais como: “Gordo baleia, saco de areia…” ou “Vai explodir, vai explodir…”. Essas coisas.

Uma vez, na 4ª série, estávamos estudando práticas que envolveriam um treinamento de incêndio. A professora disse, que em um caso real, se tivessem que quebrar as janelas para resgatar os alunos da sala de aula, os mais magrinhos iriam primeiro. Depois, na hora do recreio, ouvi uma colega se lamentando para outra, dizendo: “Coitado do Joatan. Ele seria o último no resgate.”.

bullying com gordinho
Bullying com gordinho

Pois é. Mas no meu caso, nem só de bullying viveu o bulinado. Eu também bulinei os outros. Infelizmente, não as mesmas pessoas que me zoavam. Na verdade, fui covardão. Acabava implicando com os colegas tão vulneráveis quanto eu.

No entanto, meu bullying não era tão pesado — eu acho. Basicamente eu inventava apelidos.

Tinha um colega que eu chamava de “Bigo”. O título era em razão dele ter um bigodinho. Crianças com 10 anos ainda não têm bigode, por isso, eu achava curioso. E era engraçado — não pra ele, mas pra mim — até porque, eu acabava influenciado os outros a chamarem ele assim também. Mas nós convivíamos relativamente bem com isso, tanto que na 5ª série ele era um dos meus melhores amigos.

menino com bigode
Menino com bigode

Em outra ocasião, eu inventei de chamar um menino de “Lerdo”. E ficou. Em pouco tempo, outros alunos também estavam chamando-o dessa forma. Ficou chato, já que na entrega de boletins, enquanto eu estava na fila com a minha mãe, ouvi a mãe dele falando pra mãe de outro colega, que iria reclamar com a professora. Afinal, os meninos estavam chamando o filho dela de Lerdo. Fiquei bem quieto. A partir do dia seguinte, eu é que não chamava mais ele assim.

É bem provável que todo mundo tem uma história de zoação na escola. Seja sendo caçoado ou caçoando alguém. Certamente rende alguns posts pra contar tudo. Entretanto, bullying não é nem um pouco legal. E nas gerações de hoje, pelo que a gente observa, a galera costuma pegar mais pesado do que antigamente. Então, pelo certo ou pelo errado, com certeza é melhor ficar longe desse rolé de tirar sarro dos outros.

Arrume a sua cama

Faz algum tempo que eu havia começado a ler esse livro e hoje terminei: Arrume a sua cama. Trata-se de uma obra escrita pelo almirante William H. McRave, na qual, ele compartilha às suas experiências ao longo dos 37 anos que atuou como SEAL na Marinha dos EUA.

Nas passagens, o autor traça desde o intenso treinamento na época em que ainda era um “girino” (como eles chamam os iniciantes) até os cargos de comando em diversos níveis que ele conquistou ao longo da sua carreira.

Cada capítulo é uma nova lição aprendida e no final ele faz um apanhado de todas, trazendo como uma aula inaugural na Universidade do Texas, onde atuava como reitor na época em que escreveu o livro.

Arrume a sua cama

Não porque é a primeira e nem também porque é um hábito que eu tento manter, mas o ensinamento que mais me marcou, talvez por ser a base de tudo, é o que possivelmente inspirou o título do livro: Se você quer mudar o mundo, comece arrumando a sua cama.

E transcrevo dois trechos que explicam bem essa lição:

Se você arrumar a cama todas as manhãs, terá realizado a primeira tarefa do dia. Isso lhe dará um sentimento de orgulho, mesmo que pequeno, e irá encorajá-lo a assumir outra tarefa, e outra e mais outra. No fim do dia, essa primeira tarefa realizada terá se transformado em muitas outras tarefas realizadas. Além disso, arrumar a cama reforça a ideia de que as pequenas coisas da vida são importantes.

Se alguém não consegue realizar as pequenas coisas, nunca fará direito as grandes coisas. E, se por acaso você tiver um dia infeliz, voltará para casa e encontrará a cama arrumada – que você arrumou -, e ela lhe dará o incentivo de que amanhã será melhor.

Mesmo que para atingir um entendimento pleno é necessário ler cada capítulo, pois alguns trazem termos usados ao longo do texto, deixo aqui os demais 9 ensinamentos comprimidos em frases pelo próprio autor no que diz respeito ao desejo de mudar o mundo:

  1. Encontre alguém que o ajude a remar.
  2. Avalie as pessoas pelo tamanho do coração.
  3. Deixe de ser um injustiçado e siga em frente.
  4. Não tenha medo do circo.
  5. Atire-se ao obstáculo de cabeça.
  6. Não fuja dos tubarões.
  7. Dê o seu melhor nos momentos mais sombrios.
  8. Comece a cantar quando estiver enfiado na lama até o pescoço.
  9. Nunca, jamais, toque o sino.

#FicamTodasAsDicas

Museu da Fiat e meu apreço pela marca

Essa semana, a página da FCA – Fiat Chrysler Automobiles no Facebook, compartilhou um vídeo publicado pelo Jornal do Carro, falando sobre o acervo de veículos do seu museu. Na produção, aparecem modelos que marcaram época, além de edições especiais, como o Oggi CSS, Uno Turbo e Uno Grazie Mille.

Museu da Fiat – BrasilEm uma matéria ao Jornal do Carro, Ricardo Dilser, Assessor Técnico da Fiat, mostra alguns modelos do acervo do mudeu da Fiat no Brasil e um pouco de sua história. Qual Fiat está faltando?#FCA #Fiat #Museu #Carros #OldCars #Brasil #JornalDoCarro #FCAWorldNewsVideo: Jornal do Carro.

Publicado por FCA – Fiat Chrysler Automobiles: World News Fanpage em Quinta-feira, 21 de maio de 2020
Museu da Fiat – Brasil

Fiquei pensando nesses carros e em toda a sua história. Me dei conta que eles fizeram parte da minha infância e adolescência, assim como vários outros modelos da marca que continuo admirando até hoje. Por sinal, o apreço que eu tenho pela Fiat, acredite ou não, é muito grande e tenho esse sentimento desde o meu primeiro ano de idade

Meu pai trabalhou durante 35 anos em uma concessionária Fiat. E eu, como um bom filho, sempre admirei muito o trabalho dele. Com isso, desde pequeno, minha ligação com a marca foi bem forte. Acho até que uma das primeiras palavras que eu aprendi a dizer, quando tinha pouco mais de um ano, foi “FIAT”. Minha mãe poderia confirmar se estivesse aqui.

Desde pequeno, sempre fui o parceirão do meu pai, andando com ele pra cima e pra baixo nos finais de semana. Com sorte, quando ele precisava ir até a empresa no sábado ou domingo, obviamente eu corria pra acompanha-lo, o que me soava como uma grande aventura. Todos aqueles modelos, cores e acessórios diferentes, me deixavam fascinado. Cada vez mais eu gostava da Fiat e seus carros, o que me fazia até recortar papeizinhos, escrever “FIAT” em cada um deles e colar nos meus carrinhos de brinquedo, no intuito de imaginar que eles também faziam parte dos carros que eu conhecia de verdade.

Linha do tempo de logotipos da Fiat

Em 1996, quando o Palio foi lançado, lembro que a Fiat produziu relógios de pulso comemorativos. Esses relógios possuíam no ponteiro dos segundos um “mini Palio” na cor laranja, por sinal, a coloração que mais marcou a estreia do modelo, na minha opinião. O fundo do relógio era branco e no centro enunciava “Fiat”, escrito no antigo logotipo com a fonte branca e os quadradinhos em azul. Eu ganhei um desses de dia das crianças, eu acho. Mais tarde, em 1998, no lançamento do Marea, foram produzidas miniaturas do modelo, o que foi demais! Lembro que meu pai ficou sabendo em um evento ou treinamento que os “carrinhos” chegariam junto com os modelos de verdade e comentou antes comigo. Fiquei algumas semanas perguntando se eles já haviam recebido os carros, até que ganhei minha Marea (weekend) bordô. Algum tempo depois, ganhei também um Marea (sedan) azul. Uma pena que de tanto usar e brincar, não tenho mais o relógio e nem os carrinhos. Mas as lembranças permanecem vivas!

Prateleira com miniaturas Fiat que tenho em casa. Como sempre gostei, ao longo dos últimos anos fui construindo essa pequena coleção.

Algumas vezes as pessoas até acham que eu não ligo pra carros, pois sequer tenho um e tampouco dirijo. Mas a verdade é que eu gosto bastante do assunto, apesar de não entender muito desses modelos mais “topzeira” de marcas que as pessoas normais sonham, como Audi, BMW, Land Rover, Maserati ou Mercedes-Benz. Mas de Fiat eu sempre entendi e sempre vou gostar.

40 dias de home office

Depois de 40 dias trabalhando no regime de home office ou como alguns têm dito, “teletrabalho”, o que me parece um termo antiquado, mas tudo bem, ontem fui até a sede da empresa. A intenção da “visita“ foi fazer a vacina contra a gripe, pois assim como faz todos os anos, a companhia conseguiu doses para todos os funcionários.

Não há outra palavra pra descrever a sensação que senti ao entrar pelo portão, se não, estranheza. Tive a impressão que faziam 3 meses e não apenas 40 dias desde a última vez que estive lá. O ritmo frenético do trabalho remoto fazem parecer que as semanas estão passando mais rápido do que o normal. Aliado a isso, temos as mudanças constantes que já são de praxe na empresa, sempre readequando o layout dos ambientes e realocando o espaço fisco, mesmo nessa época de crise causada pela pandemia, o que é um ponto muito positivo, pois a organização não para de crescer e contratar mais gente. Diante disso, o retorno ao meu habitual local de trabalho, apesar de encontrar poucas pessoas nas salas e corredores, fez parecer que passou mais tempo do que parece.

Como um benefício, desde o ano passado o RH já nos oferece um dia na semana para que façamos home office, se assim desejarmos. Apesar de ver isso como uma vantagem interessante e feliz por saber que ela existe, pouco havia desfrutado desse recurso até o momento, pois estava preferindo não associar trabalho com casa, mesmo que no passado, ainda quando eu trabalhavam em outra área, já havia atuado várias vezes nesse modelo, principalmente a noite ou nos finais de semana quando necessitava executar alguma atividade de sobreaviso, por exemplo.

Meu espaço de home office

No entanto, agora sendo “forçado” ao home office, depois de todos esses dias, posso dizer que estou gostando bastante da experiência e não me importo de ficar trabalhando assim durante o tempo que precisar. Posso acordar um pouco mais tarde do que se tivesse que sair de casa, consigo almoçar com mais tranquilidade enquanto assisto alguma coisa na TV e logo que o expediente acaba, não preciso enfrentar nenhum deslocamento, podendo me dedicar a alguma leitura ou estudo com o tempo que me sobra.

Em todo o caso, não desqualifico e sigo considerando muito necessário todo o approach humano que o time no qual trabalho sempre prezou. Portanto, assim que a situação voltar ao normal, obviamente quero seguir na rotina com a qual estamos acostumados, trabalhando e interagindo fisicamente com meus colegas. No entanto, passarei a considerar com mais frequência a possibilidade de trabalhar de casa na medida do possível, visto que além de proporcionar um tempo a mais no meu dia, reflete também mais foco e qualidade de vida.

Escravos do tempo

O tempo é o nosso norteador. É por meio dele que acordamos, vamos para o trabalho, participamos de reuniões, almoçamos, saímos do trabalho, jantamos e vamos dormir. Se não houvesse o tempo para nos controlar e também os compromissos nos forçando seguir esta direção, certamente nossa rotina seria uma bagunça.

Mas assim como o tempo nos gerencia, acabamos sempre reféns dos limites impostos por ele. Com toda a sua autoridade, maestria e principalmente ligeireza em avançar, ficamos cada vezes mais aflitos com o risco que corremos quanto ao não cumprimento de prazos, e com isso, o não atingimento de metas estipuladas para uma semana, mês ou até mesmo ano.

tempo
Tempo

Particularmente eu sou um grande crítico do tempo. Por mais que tente me organizar, a impressão de que as semanas passam rápido demais é constante e acabo frustrado ao colocar na balança a quantidade de atividades que desejo executar em um dia versus o período que tenho para me dedicar a isso.

Mesmo que 24 horas pareçam suficientes para seguir um roteiro de tarefas, quando se tem muito trabalho, o tempo é relativo como na teoria de Einstein. No entanto, ao invés de haver um objeto se locomovendo em alta velocidade, para o qual, o tempo passaria mais devagar, existe um indivíduo imerso em diversas demandas, e com isso, acaba percebendo os minutos passarem mais depressa na medida que se envolve na pilha de obrigações.

Quando não se deseja que o tempo passe, como em um fim de semana, por exemplo, novamente por haver afazeres e tarefas inacabadas ou simplesmente há o desejo de aproveitar junto da família ou dos amigos, mais uma vez ele passa depressa demais diante da nossa percepção.

De um modo geral, mesmo com todo o cunho negativo que essa afirmação possa carregar, não podemos negar que passamos de meros escravos do tempo, presos no que ele nos obriga, vivendo e agindo conforme ele nos permite.

A montanha-russa da vida

Eu tinha um colega de trabalho que seguidamente exclamava: “É bom tá vivo!”. Sim, é bom, mas nem sempre.

Em novembro de 2019, quando perdi minha mãe, me dei conta de que não estamos aqui nesse mundo pra viver bem e sermos felizes, apesar de que em alguns momentos isso é possível.

Nascemos e vivemos suscetíveis ao imprevisto. Afinal, por mais que as coisas estejam muito bem, a qualquer momento pode acontecer algo que vai causar infelicidade, seja ela muito pequena, pequena, média, grande ou muito grande. E isso vai desde estar caminhando na calçada, tropeçar e descolar a sola do sapato, até perder um ente querido, como uma mãe ou um pai.

Montanha Russa by Getty Imagens

Para alguns, essas fatalidades são frequentes. Para outros, talvez nem tanto, o que gera uma sensação de bem-estar e vida boa. E ainda, tem os momentos mesclados.

Logo depois que minha mãe morreu, apresentei meu TCC e tirei 10. Apesar de toda a tristeza pela falta dela, uma pequena parte de mim estava feliz, pois após uma longa jornada, estava concluindo a graduação e encerrando um ciclo com honrarias. Nessa semana que está passando foi minha formatura. Foi um momento bacana. Porém, novamente estou triste pois um dia depois da cerimônia, perdemos o Barney, nosso cachorrinho que completaria 15 anos no próximo mês.

A algum tempo atrás, lembro que o Izzy Nobre escreveu um livro cujo título é “Todo o dia tem uma merda”. Certa vez eu até comecei a ler, mas pra mim o título fez mais sentido que os próprios contos apresentados na obra e me confirma a convicção de sempre algo não vai estar bom.

Com base nisso, reitero a impressão de que nascemos pra viver e sofrer. Às vezes, com sorte por períodos ininterruptos, o sofrimento nos concede uma folga e até criamos boas lembranças pelas quais entendo que nós temos que enxergar o propósito de viver, mas em outros, nem tanto. O fato é que como diz o título do livro: todo o dia tem uma merda. E ela pode ser quase insignificante ou que vai alarmar uma ferida que te acompanhará pelo resto da vida.

Finalmente “TCCei”

Certamente o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é a etapa mais custosa na vida acadêmica de qualquer aluno. Durante esse ano, enfrentei esse desafio e recentemente conclui, apresentando meu trabalho no dia 11/12/2019, um dia que ficou marcado por encerrar uma jornada de quase 10 anos na graduação, podendo então receber o título de Bacharel em Sistemas de Informação.

Prof. Scheid, Prof. Sandra (banca), eu e Prof. Adriana (orientadora)

Foram 8 meses de trabalho árduo. Perdi as contas de quantos sábados, domingos ou qualquer noite da semana fiquei durante horas planejando e elaborando textos, imagens, quadros, planilhas e gráficos para construir um texto que atendesse as expectativas do meu trabalho. Não contabilizei em números, mas estimo que foram investidas mais de 500 horas de devoção.

Ao longo do processo, houveram mais de 40 reuniões com a minha orientadora, a doutora Adriana Neves dos Reis, a quem eu devo todo incansáveis agradecimentos por todo o conhecimento, suporte e dedicação oferecidos ao longo desse processo.

Também agradeço todas as pessoas que de alguma forma colaboraram com meu trabalho, seja com dicas, sugestões ou apenas uma palavra de incentivo. Não posso esquecer de mencionar as dezenas de Scrum Masters que acionei através do LinkedIn e prontamente responderam o questionário de avaliação da minha proposta. Além deles, sou grato aos meus colegas de trabalho e especialistas consultados, que utilizaram o artefato proposto e depois disso também responderam um questionário.

Nota TCC

Em especial, agradeço minha noiva, Bianca, por me apoiar na revisão do texto, lendo incansavelmente dezenas de páginas quando eu precisava de uma segunda opinião. Agradeço meu pai, Jurandir, por “bancar” meu início na faculdade e como sempre apoiar minhas decisões, inclusive sempre preocupando-se com o andamento do TCC, e também, minha querida mãezinha, que infelizmente nos deixou recentemente, mas nunca mediu esforços para cuidar de mim, sempre me recebendo com zelo e carinho quando eu chegava da faculdade.

Sinto-me mais preparado e maduro com a finalização desse trabalho, pois além da aprendizagem adquirida em relação ao conteúdo da minha pesquisa, a experiência em desenvolver um projeto dessa magnitude é incomparável.

Regalos da Prof. Adriana

Sendo assim, se você que está lendo essa postagem tem interesse em conhecer um pouco sobre KPIs de Governança de TI em Times Scrum, como tema do meu trabalho, clique aqui para ler o resumo através do site do TC-online da universidade e aqui para acessar o trabalho na integra.

Um período ócio

Ontem foi o dia da entrega do meu TCC. Depois de 8 meses de dedicação e provavelmente umas 500h de trabalho, finalmente entreguei o dito-cujo.

Cheguei cedo na faculdade para fazer as impressões. Três cópias. Cada uma delas contendo 120 páginas. Sim, talvez eu tenha extrapolado no número de folhas, mas juro que as minhas conclusões finalizam na página 85 e depois são apenas as referências e os apêndices, pois acabei obtendo muitos em virtude de tudo o que produzi para construir o TCC.

Quando terminei de imprimir e encadernar, já pensei em começar a trabalhar no PPT para a banca. Mas não. Decidi me dar uma tarde de folga. Depois do almoço, fui para a biblioteca, sentei em uma confortável poltrona defronte a uma grande janela com vista para o pátio, conectei meus fones e coloquei uma música para tocar.

Fiquei ali por um tempo, apenas contemplando o momento. Depois de alguns minutos, pensei em pegar o notebook pra ler alguma coisa ou até escrever. Contudo, acabei fazendo algo bem mais simples. Puxei um caderninho que sempre carrego na mochila e comecei a rabiscar. Palavras. Desenhos. Pequenos textos. Deixei a caneta fluir. Abaixo segue uma amostra do que isso resultou.

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Quando me dei conta, já havia passado algumas horas e estava na hora da aula. Mas antes disso, parei e pensei por um momento: Minha tarde foi produtiva?

Bom, por mais que eu não tenha tido um “entregável” após essas 3 horas que passei, estou convicto que a mente precisa de um período ócio para oxigenar e com isso estar propícia para criticar, refletir e gerar novas ideias. Talvez algum workaholic que vive em uma caverna diria que é vadiagem, mas eu prefiro chamar de ócio criativo. Por isso, me dei esse momento e gostaria de repetir a dose com mais frequência.

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