A Escola

Pode parecer mentira, mas desde criança, acho que  nunca gostei muito de ir pra escola. Quer dizer, não que eu detestasse isso, mas pra mim era um tanto tedioso ficar mais de 4 horas trancado em uma sala de aula com professores e colegas chatos. Não que isso me faça um babaca, tipo aqueles da “turma do fundão” que ficam só de zuação e não perdem uma oportunidade pra “matar aula”. Pelo contrário, sempre tentei me dedicar ao máximo, estudando, colaborando com o bom desempenho das aulas perante os professores e tentando sempre conservar um bom relacionamento com todos. Falando bem a verdade, nos últimos anos do colegial, mais precisamente no ensino médio, acabei descobrindo que ir pra escola não é tão ruim assim. Pois foram os anos que mais consegui aproveitar os conteúdos apresentados pelos professores, assim como conquistar amizades e consolidar relações que vou levar pra vida toda. Costumo dizer que durante esses anos aprendi a ser gente.

Contudo, mais tarde ainda quando você inicia um curso em uma universidade ou mesmo em uma escola técnica, você acaba percebendo que escolas realmente são do bem. Elas existem pra auxiliar no desenvolvimento educacional de todos, principalmente quando estudamos assuntos que realmente temos interesse e quem sabe vocação.

Antes de iniciar na Hansa Language Centre aqui em Toronto, ainda no Brasil, eu sempre pensava que esse início seria o pior de todos os inícios dos tempos de escola. Pois imagine você chegando em um país desconhecido, precisando encarar pessoas desconhecidas, costumes desconhecidos, e de quebra, podendo se comunicar somente através de um idioma ao qual você não domina plenamente. Isso realmente foi uma preocupação pra mim durante meses.

Na última terça-feira fez uma semana que iniciei na Hansa e apesar de toda a aflição criada antes mesmo do primeiro dia, ocorreu tudo tranquilamente, seguindo até então. O primeiro dia foi muito tranquilo. Cheguei na escola com o ônibus que minha host mother já havia me indicado no dia anterior, procurei a recepção e comentei que era meu primeiro dia. A moça indicou outra sala onde conseguiram confirmar minha matrícula. Fui levado pra “sala de testes”, onde ocorreria o exame inicial indicando em qual level eu poderia ingressar para as aulas.  Terminando os testes, após um certo período de espera, a correção foi finalizada, fui chamado e admitido nas disciplinas indicadas através do resultado, assim como em seus respectivos levels.

No primeiro dia consegui participar de somente duas aulas, devido ao horário, considerando que estou matriculado em quatro disciplinas: Grammar, Listening, Conversation e Vocabulation.

Logo de cara percebi que os professores são gente boa, e tem uma boa bagagem de conhecimento pra compartilhar. Só o professor da aula de Pronuntiation que é meio maluco, gosta de “tirar” os brasileiros e dizer que não vamos conseguir pronunciar da forma correta certas palavras, contudo, eu realmente espero que seja brincadeira da parte dele.

De uma forma geral, conclui que o primeiro dia em uma escola estranha, com pessoas estranhas e falando uma língua estranha não foi nada ruim. Até agora, acho que a adaptação foi relativamente fácil.

Mas como nada é perfeiro, ainda mais pra pessoas um tanto exigentes como eu, acredito que algumas coisas na escola deixam a desejar. A principal está relacionada a hospitalidade e algumas práticas conservadas. Não tenho nada contra as pessoas, acho inclusive que a grande maioria tenta ser cortês, mas percebi uma falha grande referente a comunicação, começando por não existir um guia específico de regras, horários, cumprimentos e conveniências que devem ser seguidos pelos alunos. Parece bobagem, mas isso pode ser realmente importante. Até porque, conforme comentei, os alunos são inseridos nas turmas a partir do resultado do teste inicial, o qual é baseado em levels. Contudo, mais tarde, é possível realizar novamente um teste para avançar de level, sendo que os levels trabalham desde o level 1 ao 12. Considero essa informação de extrema importância, pena que acabei descobrindo conversando com os colegas, não que seja ruim, mas a escola deveria deixar isso mais claro. Outra situação que achei estranha é que alguns funcionários, não professores, demonstram pouco esforço para compreender alguns alunos, principalmente devido ao inglês capenga dos estudantes. Já percebi alguns colaboradores fazendo pouco caso de alguns problemas relatados, falando rápido demais e não tentando entender o que os alunos realmente precisam. E por último, mesmo que não seja da minha conta, mas por tentar ter uma visão mais técnica, sinto que posso opinar quanto ao o sistema computacional usado na gestão dos processos da escola, pois o mesmo parece bagunçado e um tanto arcaico. Logo quando cheguei, o rapaz que fez a confirmação do meu ingresso estava usando um sistema ainda baseado em DOS (pra quem não sabe, essa plataforma tem mais de 20 anos de idade), com um mecanismo de buscas ruim, pois demorou pra encontrar minha matrícula. Mais tarde, após terminar a prova e ser chamado para o ingresso nas aulas, percebi que o recrutador estava usando uma planilha do Microsoft Excel para consultar os horários das aulas, e ontem, por incrível que pareça vi um sistema baseado em web aberto no navegador de um dos computadores da recepção.

Não gostaria de encarar isso como críticas, caso necessário, que sejam construtivas, então. Acredito realmente que a escola faz o melhor para atender os alunos, e considerando o fato de que praticamente todos os dias estão entrando e saindo estudantes da instituição, em virtude do início ou fim do perído de intercâmbio, isso acaba se tornando rotina para todos. Dessa forma, não é nada especial a chegada de um novo estudante, considerando que ele é só mais um de muitos. Não que ser mais um seja ruim, quem sabe não é tão bom quanto uma recepção mais calorosa, mas pode se tornar frustrante para alunos com grandes expectativas.

Vale comentar também que a escola possui dois campus, um localizado na Englinton East e outro na Youge Street em Toronto. Os dois campus são muito próximos, caso necessário, é perfeiramente viável caminhar entre um e outro. O primeiro citato é destinado a alunos que estão cursando os levels 1 ao 5 das disciplinas de inglês, e o outro, no qual eu estudo, é destinado aos alunos cursando os levels 6 ao 12 das disciplinas de inglês também.

12 Responses to “A Escola”

  • Thatiane disse:

    Ola!
    Mto obrigada pelas informações, pois essa esta listada como uma das melhores escolas de idiomas no canada aqui numa agência.
    Mas sabe como você fica em dúvida, porque a agência tem parceria né.

    Mas em relação ao inglês você pegou que nível? As aulas são boas?
    Disseram que oferecia esportes também e atividades toda semana, é verdade?
    Se sim os esportes são pagos?

    • Olá Thatiane!

      Imagina, fico feliz em compartilhar as informações!

      Então, referente a escola, confesso que no início fiquei meio assustado. Não sei ao certo explicar, mas pensei que em partes poderia ser um lugar meio desorganizado. Contudo, aos poucos fui percebendo que não poderia ter feito escolha melhor.
      Realmente, o lugar é muito legal! Os professores são ótimos, o pessoal que trabalha no administrativo também, sempre dispostos a ajudar. E o ambiente é muito bom também, todas as salas de aula são multimídia, tem espaço pra lazer e pra estudos. Os dois campus (Younge Street Building e Eglinton Street Building) são próximos um do outro, facilitando o acesso a qualquer um deles o tempo todo.

      Quando eu cheguei, passei pela prova de nivelamento e fiquei no nível 6. No início, eles indicam as aulas que você deve cursar, porém, mais tarde é possível organizar as tuas aulas conforme os teus próprios critérios. Por exemplo, conforme eu achei que seria capaz, apesar do meu “schedule” constar nível 6, troquei pra aulas referente ao nível 8, sem problemas.
      Dependendo do teu nível de inglês, tuas aulas serão no Eglinton Street Building (level 1 ao 5) ou logo no Younge Street Building (level 6 ao 12), dependendo do resultado da prova de nivelamento.

      Sobre as atividades, praticamente todos os dias eles promovem algo diferente. Seja uma passeio pra visitar a CN Tower, Toronto Zoo, Toronto Island, Niagara Falls, ou mesmo esportes, Baseball, Hockey, entre outros, sendo que as atividades podem ocorrer até mesmo no fim de semana e sempre são acompanhadas por um professor. No teu primeiro dia, você vai receber o “schedule” de atividades do mês, podendo se organizar e comprar os tickets pra cada uma. Dependendo do que você escolher é pago, não que a escola vai cobrar, mas o lugar pra onde vocês vão cobra alguma taxa de entrada ou coisa do tipo. Geralmente quando os alunos vão jogar baseball, hockey e afins com os professores, é sem custo, pois isso não gera nenhuma taxa extra, considerando que eles utilizam os campos disponíveis em algum parque da cidade que são de livre acesso pra todos.

      Enfim, espero que tenha ajudado!

      Boa sorte com os preparativos e estou a disposição para compartilhar qualquer outra eventual dica!

      Obrigado pelo comentário!

  • Thatiane disse:

    Nossa muito obrigada, estou mostrando seu blog para minha mãe e seus vídeos estão ótimos. Estou muito animada, vou dar entrada amanhã com a agência Egali. Só que optei por não ficar em casa de família, pois prefiro ter minha liberdade de horário.
    A princípio vou tentar o visto para abril e ficar 6 meses (3 estudando e 3 trabalhando). Já fiz curso de inglês aqui no Brasil, mas meu sotaque é péssimo,rs e às vezes esqueço alguma coisa bem básica da época da gramática da escola.
    Trabalho em eventos falando inglês, mas mesmo assim todo mundo diz que lá fora é outra coisa, que seu nível aqui é um avançado e chega lá você percebe que é intermediário.
    Preciso que esses 6 meses sejam bem aproveitados pra voltar preparada para entrevistas,rs

    Adorei seu Blog! Espero que você tenha outra experiência no exterior em breve.

    • Oi Thatiane!

      Realmente fico muito grato por saber que minhas experiências compartilhadas por aqui estão te motivando.

      Sobre acomodação, no meu caso, fiquei em casa de família. Confesso que estava com medo no início, mas eles foram ótimos. Sempre tive minha liberdade e privacidade no tempo que estive com eles. Nunca reclamaram quanto aos horários e estavam sempre dispostos a ajudar caso necessário. Mas claro, tudo depende da família. Como ouvi falar antes ainda de embarcar “a família é uma loteria”, você pode tirar a “sorte grande” como também pode ficar com algo não tão bom.

      Claro que morar sozinho ou mesmo com alguns amigos pode ter suas vantagens, relacionadas principalmente a questão de valores, assim como também desvantagens, referente a questão de comodidade, por exemplo.
      Você pode verificar com a Egali, pois ouvi falar que em alguns países eles tem residências pra estudantes (administradas pela própria agência), pode ser uma boa opção, sendo que você pretende fechar com eles.

      Quanto ao inglês, eu sempre considerei meu inglês intermediário. Quer dizer, desde que finalizei meu curso aqui a alguns anos. Comentava com as pessoas que eu sabia “me virar”. Contudo, quando cheguei lá, percebi que apesar de “conseguir me virar”, descobri que meu inglês não era tão bom quanto eu pensava. A experiência de estudar com os nativos é totalmente diferente. Além de você perceber as diferenças entre os sotaques, pois na mesma sala que você, vão estar coreanos, japoneses, espanhóis ou franceses, por exemplo, assim como nós brasileiros, a pronúncia deles acaba trazendo muito da língua nativa, as vezes até dificultanto o entendimento. Um dos objetivos que temos lá é tentar equiparar o máximo possível o nosso inglês com o inglês dos nativos, de quem traz esse idioma de berço, e não é porque eu fui pra lá ou porque você e diversos outros brasileiros que conheço já foram, mas acredito que a América (Canadá e EUA) podem ser os melhores lugares pra aprender inglês no mundo. Afinal, o inglês americano é mais difundido que o britânico, apenas tomando como exemplo.

      Bom, desejo muita sorte pra você! E tenho certeza que tudo vai ocorrer bem, tanto agora nos preparativos, como quando você estiver desfrutando dos 6 meses em terras canadenses.

      E obrigado pelo incentivo, gostaria muito que em breve também consiga uma nova oportunidade pra uma “nova aventura”!

      Qualquer dúvida, caso eu saiba responder, continuo a disposição!

      Abraços!

  • Kelly Santana disse:

    Oola tudo bem! Estou indu para o canada mas nao falo nada de inglês, e me matriculei na Hansa será se terei muita dificuldade? Meu nível eh o 1 disso tenho certeza kkkkk

    • Oi Kelly!

      Tudo beleza e contigo?

      Bom, acredito que na Hansa você não vai ter problemas quanto ao aprendizado, pois no período que estudei lá, acabei conhecendo pessoas que diziam não saber nada quando chegaram, mas aos poucos foram evoluindo e passando de nível, conforme o conhecimento aumentava. A galera que acaba chegando com pouco conhecimento no inglês, geralmente fica estudando no Eglinton Building, porém mais tarde quando já conseguem “se virar”, migram para o Younge Building, o que já é uma grande conquista e sinal de que estão progredindo.

      O ideal mesmo é você não chegar sem nada de conhecimento, ao menos o “basicão” é interessante saber, principalmente pra poder interagir logo na chegada, no aeroporto, conversar com tua host family ou o pessoal que vai te receber na tua acomodação e mesmo pra pedir alguma informação em um eventual passeio pela cidade. É interessante também ter listening razoável, isso é a base pra toda a comunicação.

      Não sei se você chegou a ler, mas recentemente publiquei um outro artigo falando sobre a Hansa também http://bit.ly/14QlDGU, nesse texto comentei sobre o destaque que a escola recebeu no Oi Toronto (http://oitoronto.com.br/), um site de notícias sobre a metrópole, específico para brasileiros, já servindo como uma boa opção pra se manter informado sobre o que acontece na cidade.
      Nessa postagem tem o link pra o artigo da Hansa no Oi Toronto e lá eles comentam que a escola tem profissionais preparados para receber brasileiros com pouco domínio do inglês, pois eles falam nosso idioma nativo. O que não vai faltar também são brasileiros, com certeza tu vai encontrar muitos conterrâneos, que em últimos casos, podem prestar uma ajudinha com o inglês também.

      Enfim, boa sorte nos preparativos pra tua viagem!

      E qualquer dúvida, eu sabendo responder, estou a disposição!

      Obrigado pelo comentário!

      Abraços!

  • Huilianni disse:

    Olá Joatan!

    Sei que estas postagens ja tem um tempinho,mas gostaria de um auxílio acerca da Hansa.Vc teria whats app?

  • Rafael Souza disse:

    Olá Joatan!

    Cara, acho que você vai poder me ajudar muito rsrs. Eu pedi um orçamento para uma agência chamada Canadá Intercâmbio e eles me recomendaram a Hansa. Pesquisei na internet e vi comentários bons e ruins sobre ela. Estou muito indeciso, então gostaria de sua opinião, já que você já estudou lá. O ensino dessa escola é bom? Um grande abraço e agradeço desde já pela resposta!

    • Opa!

      Tudo bem, Rafael?

      Cara, talvez essa postagem aqui não seja totalmente um bom parâmetro pra visão que eu tenho da Hansa desde o último dia que estive em Toronto, até porque, na primeira semana que eu cheguei lá, quando escrevi o post, não sei explicar ao certo, mas achei meio frustrante. Não acredito que era por falta de adaptação, porque o lugar já parecia familiar, acho mesmo que eu estava rígido demais pra entrar em uma “nova cultura”. No entanto, conforme os dias foram passando, descobri que não teria escola melhor pra estudar durante os 4 meses que passei em Toronto.

      A Hansa é ótima! Assim como todas as escolas, eles tem professores bons e ruins. Mas a grande maioria é bom, se não, ótimo! São divertidos, tem uma didática legal, muitos deles, além do inglês, também falam francês, espanhol, alemão e alguns até arriscam algumas palavras em português. A maioria dos professores são muito inteligentes e tem um conhecimento vasto sobre o que ensinam, além de conhecimentos gerais sobre o mundo todo. Todos adoram o Brasil! Inclusive, o diretor de marketing da escola, acho que é Mark Greve o nome dele, é casado com uma brasileira, a Letícia. Pelo que entendi convivendo por lá, a família Greve é proprietária da escola. O legal do teu “schedule” é que no início eles te sugerem algumas disciplinas, mas depois, tu pode trocar, caso não gostar da aula ou do professor, assim tu vai moldando a tua agenda conforme as tuas necessidades ou preferências. Se achar que teu “ponto fraco” é gramática, pega mais aulas de “grammar”. Se achar que é “listening”, pode pegar mais aulas nessa linha. “Idiom and Phrasal verbs”, “Pronunciation”, “Conversation”, “Business”… Tem várias disciplinas pra escolher e cada uma é classificada com um nível diferente.

      O ambiente também é ótimo! Existe uma divisão entre o Eglinton Building (campus que abrange estudantes entre os níveis 1 à 5) e o Younge Street Building (campus que abrange estudantes entre os níveis 6 à 12). Na maior parte do tempo fiquei no Younge Street, pois logo no primeiro dia fui pra lá, onde fiz minha prova de nivelamento. Algumas vezes fui até o campos da Eglinton, pois ambos são bem próximos, mas fui apenas pra algumas atividades extraclasses, como as “sessões de cinema” nas segundas-feiras a tarde. Ambos os prédios possuem diversas salas de aula e um espaço de lazer, onde os alunos podem lanchar, almoçar e ficar batendo papo depois da aula.

      A administração da escola também prepara diversos passeios durante o mês, cada professor é responsável por um passeio diferente, fazendo a divulgação entre os alunos e no dia marcado acompanhando o grupo até o lugar prometido. Tem passeios em Niagara Falls, Toronto Island, CN Tower, Zoológico, NYC e diversos outros.

      Enfim, não sei como andam os preços hoje, mas na época, pra mim a Hansa foi a mais acessível.

      Espero que tenha ajudado e qualquer coisa estamos aí…

      Valeu!

      Abraços!

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