É hora de partir

Como dizem “time flies” ou no bom e velho português, “o tempo voa”. Realmente não parece que já passaram quatro meses desde que cheguei em Toronto. Essa é a primeira vez que fico tanto tempo longe de casa. Tudo passou muito rápido durante esse tempo, ao menos pra mim, já quanto a minha família, não sei dizer, mas geralmente dizem que “pra quem fica” a saudade e a espera pelo reencontro é sempre maior.

Durante essa minha primeira experiência no exterior, deveras aprendi muita coisa. Nunca vou esquecer dos primeiros momentos em terras canadenses, aflito por passar pelas autoridades e receber o tal carimbo no passaporte, oficializando minha entrada no país. Em seguida, a espera pela bagagem e mais tarde, a primeira ligação para minha família no Brasil, anunciando minha chegada. Foi estranho ouvir o tom agudo referenciando linha disponível que os telefones daqui fazem. É diferente do Brasil, o som é intenso e ao mesmo tempo assustador. Contudo, pode ser barato realizar uma ligação internacional, pois dependendo do cartão telefônico utilizado, pode ser possível falar por horas ininterruptas gastando apenas CAD$ 5 dólares, mas isso é assunto pra quem sabe outra publicação.

Enquanto estava organizando a viagem, ainda no Brasil, conversei com muita gente que já passou por aqui antes. As experiências são diversas, algumas inclusive contradizem outras, uns falam bem, outros falam mal, e as vezes até fica difícil saber para qual lado seguir. Não que seja ruim conhecer as histórias alheias antes de passar pela própria, pelo contrário, sempre é possível agregar alguma coisa, contudo, o importante é não ser levado apenas pelas opiniões dos outros, afinal, cada um tem uma visão diferente das situações e só vivendo na pele para poder tirar as próprias conclusões. Apesar de toda a informação ser válida, nem sempre tudo o que dizem é a única realidade, mas sim uma opção. Por incrível que pareça, sempre tentei estar mentalmente preparado para o pior, quem sabe por isso nada foi tão ruim quanto poderia ser, na verdade, até hoje, nada aqui foi ruim.

Bom, conforme eu dizia, logo após o primeiro contato com o Brasil, o próximo passo foi pegar um taxi até a tão famosa homestay. Chegando na casa fui formalmente recebido por toda a família. Os meninos ajudaram com a bagagem e a host mother mostrou meu quarto. Pela minha surpresa, um quarto ótimo. Cama de casal, TV e até uma mesinha para estudos. A primeira coisa que eu pensei foi “Como assim? Esse vai ser meu quarto? O que aconteceu com dormir debaixo da escada ou coisa do tipo?” Em seguida, ela perguntou se eu estava com fome, oferecendo um belo prato de ovos mexidos com salsicha. Sem querer eu pensei “Comida? Vocês realmente estão me convidando pra comer? Só pode ser pegadinha…”. Naquele momento eu percebi que eu havia tirado a sorte grande. Afinal, como eu já havia ouvido, a host family é uma espécie de loteria. Eles podem ser ótimos, como também podem ser péssimos, mas como é possível perceber, não tenho reclamações quanto a isso.

No dia seguinte quando a host mother foi comigo até a escola, demonstrando o caminho, assim como os ônibus e as linhas de metro que eu poderia usar, logo em seguida quando eu já estava com um mapa na mão e sozinho no trem em direção ao centro da cidade, encontrei mais dois brasileiros “perdidos” assim como eu, que por sinal estavam no mesmo vôo no dia anterior. Começamos juntos a explorar a cidade, ao menos uma pequena parte dela, e foi quando eu percebi que não havia porque ter medo, pois apesar da cidade ser muito grande, a coisa mais difícil que existe é ficar perdido em Toronto. Claro, algumas vezes você não sabe o caminho certo para chegar em derminado lugar, pega um ônibus errado, pega o trem que vai pra o lado oposto, mas pegunta pra um, pergunta pra outro, compara com o mapa e pronto, no fim sempre é possível chegar no local desejado.

Mais tarde, na escola, conheci gente de todos os cantos do mundo, pessoas simpáticas, extrovertidas, e assim como eu, dispostas a fazer novas amizades, o que tornou ainda mais agradável minha passagem por aqui, pois apesar de conhecer pouco sobre essas pessoas, eles compartilham do mesmo ideal que o meu, dispostos a partilhar conquistas e desbravar novos desáfios, sentimentos que estão interligados e que fazem toda a diferença.

Assim como tudo na vida, a experiência de um intercâmbio também tem dois lados, algumas vezes causando pavor. Acordar sentindo saudades da minha cama, sair na rua e pensar “O que eu estou fazendo aqui? Esse lugar não faz parte de mim!”, chegar em casa e não ter minha família para ao menos perguntar “como foi o meu dia?” e nem mesmo minha mãe para beijar, pode ser extremamente difícil. É normal, nem tudo são rosas, pois até as rosas tem espinhos. Além do mais, tudo é passageiro, nada dura para sempre, todo dia é uma página virada, novas experiências e aquela vontade de seguir em frente retomando o seu lugar.

Enfim, estou feliz por voltar pra casa, mas ao mesmo tempo triste por deixar o lugar onde fui acolhido nos últimos meses. No entando, acredito que é mais um ciclo que está sendo encerrado e tenho a certeza de que fiz meu melhor. O que resta agora é preservar toda a bagagem reunida durante esse tempo, seguindo a senda da vida, traçando um novo caminho, acreditando que novos ensejos estão próximos.

P.S.: Provavelmente essa foi a última postagem realizada durante a viagem. Porém, ainda tenho conteúdo para compartilhar, sendo que na próxima semana publicarei novos artigos, ainda comentando sobre minhas experiências no Canadá.

2 Responses to “É hora de partir”

  • Andre says:

    Po cara que legal… Fico feliz que tenha dado tudo certo pra voce… Como ja falei, to indo dia 3 de janeiro passar 1 ano… Ficarei pela hansa tambem… Estou com aquele frio na barriga, mais acho que e normal… Nunca fiquei nem 2 meses longe de casa e da familia hehe…. Estou indo porque comecei a achar que essa seria a minha ultima oprtunidade de fazer algo assim de passar ano… Ja fui pro exterior mais nunca fiquei mais de 20 dias…estou nervoso com relaçao a familia que vou ficar, pelomenos os primeiros meses, com a despedida no aeroporto com minha familia aqui, se vou fazer amizades do tipo “bora em algum ponto turistico”? , com a escola, com o frio, com a cidade hehe, com tudo… Mais acho que se nao tiver assim nao teria graça certo? Mais de uma coisa eu tenho certeza, que ao acabar o ano de 2012, estarei indo conhecer novas pessoas e lugares…e vou levar pro resto da vida a experiencia.. Mais continue postando sobre toronto e sua experiencia… Estou aprendendo muito 🙂 .

    • Fala Andre!

      Poxa, cara!
      Muito obrigado!

      Sim, você havia comentado…
      Então, está chegando a hora!

      A preocupação é normal, como você falou, caso não houvesse, não teria graça. Pode ter certeza que vai ocorrer tudo certo!
      Os amigos, a tua homestay, a escola, aposto que tudo vai ser melhor do que você imagina, assim como foi comigo.

      Ainda quando eu estava me preparando pra viagem, ouvi falar que devemos encarar tudo como uma grande aventura, pois devemos ter em mente que não estaremos em casa, nada será como aqui. E foi o eu que fiz. Mas na verdade, a experiência foi tão surpreendente que posso dizer que consegui me sentir em casa, contrariando o argumento aprendido.

      Contudo, apesar do “espírito aventureiro”, o que você não pode esquecer é que caso algo ocorra errado e você pode contestar para mudar isso, não deixe de fazer. Pois é o seu direito.

      Enfim, desejo o melhor na tua viagem, meu velho!
      E qualquer coisa, estamos aí!

      Abraços!

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